Segunda-Feira, 06 de Fevereiro de 2012
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Junho
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por José Fialho Ferro

Em Junho de 2008 já escrevíamos, na nossa crónica mensal, que o tempo aquecia e a temperatura económica/financeira do País estava fria.
  Em Junho de 2009, as alterações têm sido para pior. Enfim, é o País e os dirigentes que temos, e quiçá, merecemos. Cá teremos que continuar com o eterno “fadinho”, cala e consente.
 Mas hoje, apetece-me recuar a l966/67/68.
 Em Junho de 1966, estava destacado como electricista no Ministério do Exército,   em Lisboa, quando fui mobilizado para a Guiné, com embarque imediato, que só se efectivou em 23 Agosto, com chegada a Bissau a 3 de Setembro.  Fazia (e fiz) anos a 26 de Agosto, passados no convéns do Alfredo da Silva, barco de carga adaptado ao transporte da “carne para canhão” para a Guiné.
 Como cabo especialista de Engenharia, (electricista), fui colocado em Brá no Batalhão de  Engenharia Ben 337.
 Em meados de Setembro foi a primeira saída para o mato, para electrificar o K 3. Ficava a 3 quilómetros de Farim  no meio da mata do Biribon, zona de treino do PAIGC, para lá do rio Geba, se não me engano, o qual só se atravessava de piroga e em que se tinha de transportar todo o material, 
 Todos os dias tinha de sair um pelotão a “picar” a estrada e montar guarda, recolhendo ao anoitecer ao aquartelamento. Foi o baptismo de fogo no dia da inauguração da luz eléctrica, alimentada a gerador Líster.
  Que extraordinária companhia de homens.  Dias antes de nós chegarmos tinham tido um ataque terrível.
 No dia da inauguração da “luz”, dado que até essa data, a iluminação exterior era feita por petromax, que de 30 em 30 minutos tinham de ser alimentados (dar ar) pelo Cabo de serviço, no perímetro do aquartelamento que se dispunha em quadrado, protegido por três fiadas de arame farpado com garrafas de cerveja ou latas lado a lado, como sinal de alarme, fez-se a festa com  comes e bebes (muito) músicas e cantares e todo o tipo de libertação folgazã que se possa imaginar.
 Durou 15 minutos! Após estes minutos foi tiro ao alvo às lâmpadas feito pelo “inimigo”.
 Impressionante! Hoje, a esta distância temporal!  Os vapores do álcool desapareceram, a corrida aos abrigos, simultaneamente caserna, paiol, capela, enfermaria, o pegar nas G3, o começar fogo e despejar carregadores para o inimigo invisível, com o agravamento que de Farim as nossas tropas para nos protegerem disparavam morteiradas, que em vez de nos defenderem, caiam dentro do nosso aquartelamento. Durou este inferno, cerca de meia hora. Foi um teste à novidade da luz eléctrica. Após este tempo, mais ou menos, foi voltar à farra até romper a manhã.
  Mais histórias teríamos para contar sobre a Guiné e os homens que para lá foram mandados, mas o melhor será continuarmos em Julho. Até lá, se cá continuarmos !

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