
por Lisete Viegas
A 5 de Outubro, após a Implantação da República, foram desenvolvidos trabalhos legislativos, e a 12 de Outubro saiu um decreto que estipulou os feriados nacionais. Alguns dos feriados religiosos desapareceram, uma vez que o objectivo da República era justamente retirar a influência da igreja na sociedade.
Os feriados que ficaram definidos por este decreto de 12 de Outubro de 1910 foram:
1º de Janeiro, que era o dia da Fraternidade Universal;
31 de Janeiro, que evocava a revolução
5 de Outubro, vocacionado para louvar os heróis da República;
1º de Dezembro, que era o Dia da Autonomia e o Dia da Bandeira;
25 de Dezembro, que passou a ser considerado o Dia da Família.
O decreto dava também aos municípios e concelhos a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Daí a origem dos feriados municipais. No caso de Lisboa foi escolhido para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta que escreveu “Os Lusíadas”.
Para os republicanos, Camões representava justamente o génio da pátria, representava Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e mais genial. No entanto o 10 de Junho ficava apenas a 3 dias da festa religiosa que é o 13 de Junho, ou seja, o dia de Santo António, festa tradicionalmente feita e realizada em Lisboa. Com essa proximidade de datas, os Republicanos tentaram de certa forma “anular” o 13 de Junho, Dia de Santo António, em favor do 10 de Junho, Dia de Camões.
A passagem do 10 de Junho a feriado nacional só aconteceu com o estado novo, o regime instituído em Portugal em 1933, sob a direcção de António de Oliveira Salazar que procurou dar alguma continuidade a muitos aspectos que vinham da República.




